Da banheira

Eu não sei onde estava, parecia uma casa que estava sendo demolida aos poucos. Eu estava na cozinha, numa grande mesa de madeira empoeirada e na minha frente estava uma menina de pele branca e cabelos pretos. Ela era uma mistura de Mariana, Anas (Luíza, Dacol, Carolina) e uma pitada da Praguinha. Conversávamos qualquer coisa e nos levantamos, andando pela casa em pedaços até parar no banheiro.

Lá, a menina decidiu que ia se banhar e correu pra abrir a torneira. Havia água.
Ela se despiu lentamente, enquanto meus olhos se fixavam em seu corpo. Um belo pescoço, lindas costas e um par de seios que evocavam bastante desejo. Sua barriga era todo um convidativo de beijos e apertos e suas coxas resplandeciam, destacando sua boceta com pelos escuros e ralos no meio. Me entesei e fui me aproximando, beijando-a aos poucos. Trouxe-a junto ao meu corpo e eu pude sentir suas costas contra meu peito e sua respiração se acelerar enquanto eu beijava tão avidamente seu pescoço. Correndo, ela escapou de meu abraço e correu até a banheira, entrando na água.

Sentei a seu lado, e continuámos conversando. Ríamos bastante e nos beijávamos de vez em quando. Por algum motivo, resolvi  me levantar e ir até o quarto. Lá chegando, encontrei Vanessa e a trouxe para junto da banheira.

Beijei novamente a menina nua e logo após beijei Vanessa. Logo nos três no beijámos e entramos na água.

Acordei.

Inquietação.

Sem mais nem menos, achei um formulário de aplicação de emprego de uma empresa de logística. Uma das maiores do mundo. Eu não tinha nada a perder, então preenchi o questionário pra uma das vagas de vendedor e estava explicando que não tinha experiência nenhuma, que era veterinário mas eu domino competências que poderiam ser aproveitadas na empresa.

Foi quando eu percebi o que estava fazendo. Foi quando percebi o quanto ando inquieto.

Eu não tinha notado, pelo menos não claramente, essa vontade de virar minha vida de cabeça pra baixo. Foi quando eu que ando pensando muito em como desperdiço minha vida por aqui.

Mas eu não sei como mudar isso. Não sei o que fazer pra tornar minha vida divertida. Eu nem mesmo tenho certeza se é minha vida que é chata ou se é o estado em que eu me encontro, quase que perpetuamente.

Eu ando desejando fortemente estar longe daqui, fazendo qualquer outra coisa. Mas isso é um desejo legítimo de largar tudo ou só mais uma tentativa de fugir? De não enfrentar as coisas aqui? Minha vida nem é ruim por aqui, de certa forma, todas as rédeas de minha vida me pertencem. Será medo de continuar com uma vida medíocre e saber que a culpa é exclusivamente minha? Será mais medo?

Ou essa inquietação é legítima? Advinda do meu conhecimento que o mundo lá fora é imenso e cheio de coisas? Que em algum lugar lá fora, eu, desajustado aqui, posso me ajustar?

O que eu devia responder…

“Por que você está aqui ainda? Não tem namorada pra quem voltar no fim do dia não?”

Não professor, não tenho. Sou desses egoístas que não sabe mais se relacionar.

“Por que você dorme com tantos travesseiros?

Porque não lembro a última vez que recebi calor humano e eles mimetizam o que me resta de lembrança.

Como assim você fica no laboratório o domingo inteiro? O resto do pessoal vem só um período.

Laudar coisas me distrai a cabeça e eu não tenho que ficar pensando naquela solidão auto-imposta que dói tanto.

Vamos lá hoje. Todos os residentes vão. Você quase nunca sai com a gente.

É que acho chato o que vocês falam e vocês acham chato o que eu falo. Mais precisamente: eu liguei minha misantropia um dia e agora não sei onde desliga essa coisa.

Nossa, morreu tão novo.

Eu sei. Mas quando tirei a cabeça da bunda a vida já tinha passado…

Eu não gosto…

 

Daqueles dias em que bate uma descrença incrível sobre tudo o que se fazer. 

Daqueles dias em que você percebe que a solidão de que você tanto gosta é um dos fatores que está causando toda a irritação. 

Daqueles dias em que me sinto frustrado com tudo, como se tivesse feito todas as escolhas erradas do mundo. 

Daqueles dias em que a fome não desperta sua atenção e você esquece que sente sede. 

Daqueles dias em que você deita mais cedo, tentando acordar mais cedo, e perde a hora. 

Daqueles dias em que você sente que o mundo estaria muito melhor sem você. 

Daqueles dias em que você fecha o olho e imagina que tudo se foi! Desintegrado!

Daqueles dias em que você deseja forte deixar de existir. 

Daqueles dias em que você sabe que não há esperança, mesmo quando há. 

Daqueles dias em que você escreve e nada faz sentido. 

Eu não gosto daqueles dias…

C’est fini

Passei o dia todo com a morte na cabeça.

Revi minha morte várias e várias vezes, quase sempre da mesma forma brusca e rápida.

Eu não gosto desses dias, quando ela vem a minha cabeça e se espalha por todos os pensamentos.

Eu penso que tudo é fracasso, que não conseguirei nada da vida e que a melhor saída é ir correndo abraça-la.

Ela sempre aparece como o meio mais rápido de resolver esse problema e não ter que lidar com todas as coisas.

Eu odeio isso. Odeio o jeito insidioso como ela coopta minha cabeça e fico pensando e pensando sobre isso.

Talvez eu não me assuste tanto, porque não tenho a menor vontade de realizar isso, de adiantar meu fim.

Só me incomoda bastante que esses pensamentos surjam e tomem conta.

Rastejo

Eu não lembro quando cheguei lá, mas eu estava dentro de uma festa na casa de amigos dos meus pais. Me lembro que era um casa bem grande, com um quintal bem extenso e limitado pela casa, que o circundava. Todo o quintal era coberto com sombrite e muitas pessoas estavam ouvindo música e bebendo lá.

Em algum momento, por um motivo que se perdeu, comecei a discutir com minha irmã e a gritar com ela. Saí do quintal aos gritos, e fui em direção do portão e do corredor da entrada, onde encontrei a Ludmylla e Weder chegando pra festa. Ambos me cumprimentaram e foram entrando, só então eu percebi que a Lud tinha raspado o cabelo. Vi alguma pessoas, que pareciam alguns dos residentes, se surpreendendo com isso, mas eu não lembro de ter me espantado.

Antes do portão de saída, havia uma porta e entrei por ela e subi correndo um lance de escadas, até chegar a um quarto que parecia estar misturado com um banheiro.
Lá eu me sentei no vaso, que estava perto de uma cama, e comecei a olhar o chão fixamente. Logo em seguida, escutei um barulho e levantei a cabeça e vi uma menina loira, alta, magra e bem bonita apoiada na pia do banheiro. Seu cabelo era bem grande e seus olhos eram bem azuis, contrastando com sua blusa alaranjada e a saia jeans.

Ela se olhava no espelho e empinava a bunda, fazendo com que a saia subisse e a calcinha aparecesse. Fiquei vidrado, encarando sua bunda branca e redonda. Ela passou a olhar pra trás me olhando e, no espelho, sussurrava alguma coisa. Foi então que percebi que sua voz parecia com a da Júlia.

Empinando completamente o corpo, ela levantou toda a saia e eu pude ver sua calcinha enfiada na bunda. Levantei da cadeira e fui andando de joelhos até ela, segurei sua calcinha pelas laterais e fui baixando. Vi que sua calcinha era branca e preta, desenhada, e tinha algum personagem de desenho, que não reconheci na hora. Ela me perguntou se eu tinha gostado de sua calcinha e disse que tinha colocado justamente pra mim. Sem calcinha, eu olhava sua boceta rosada e pude ver que ela estava tão excitada que começou a escorrer e uma gota se formou em seu grelo. Quando pingou, ela me falou com voz de choro: “Você vai desperdiçar? Vai deixar cair no chão assim?”. Meio tonto, respondi que não e comecei a chupa-la sofregamente, como se fosse morrer se não o fizesse. Segurei sua bunda macia macia e enfiei completamente a cara em sua boceta, chupando e chupando.

Infelizmente, quando fui me levantar pra mudar de posição, acordei. Morto de tesão.